Na década passada surgiram em várias publicações médicas a expressão economic fly syndhrome (síndrome da classe econômirca) que reportava ao episódio de TVP, acompanhado ou não de embolia, sofrido por alguns passageiros dos voos em classe econômica. O episódio dramático era atribuído ao pouco espaço oferecido nos assentos da classe econômica das empresas aéreas que, em viagens de longa duração, dificultava a mobilidade dos passageiros. Tudo parece ter começado em 2000 após a morte por embolia pulmonar de uma inglesa, jovem, após um vôo proveniente da Australia. A “síndrome”, tal como foi divulgada na mídia, acabou não senda acatada na medida em que a TVP, nessas circunstâncias, pode ocorrer independentemente do meio de transporte utilizado, desde que alguma combinação de fatores possa estar presente. Há sugestões no ambiente acadêmico de que se dê a esta entidade clínica o nome de Síndrome trombo-embólica do Viajante ou Trombose Venosa dos Viajantes.
O importante é que o destaque dado pela mídia ao fato despertou uma saudável preocupação na população viajante. O problema é que a distribuição dos assentos nas aeronaves comerciais obedece à lógica do lucro que impõe o máximo de assentos por metro quadrado, mesmo que isso "engesse" os passageiros e os inibam de se movimentarem, até para não incomodar os demais. As medidas de segurança que, entre outras coisas, impedem a deambulação dos passageiros já vem sendo mais flexibilizadas.
Vários fatores podem ser considerados importantes no que concerne à possibilidade de trombose venosa profunda (TVP) em viagens. Algumas pessoas devem estar mais atentas para essa possibilidade. Se você se enquadra em uma ou mais das situações relacionadas a seguir é prudente buscar aconselhamento específico e avaliar a necessidade de adotar medidas profiláticas mais rigorosas.
Tempo de viagem - muito embora não haja muita precisão, a imobilidade em viagens mais longas que 2 - 3 horas deve ser considerada um risco para TVP
Imobilidade prolongada - não importando o meio de transporte
Idade: o risco de TVP aumento de acordo com a faixa etária, sendo particularmente mais elevado entre os idosos.
Portadores de varizes u/ou de insuficiência venosa crônica.
Antecedente pessoal de trombose venosa ou em parente de 1º grau.
Uso de estrógenos ( anovulatórios, reposições hormonais)
Obesidade e neoplasias (câncer).
Gravidez ou pós-parto.
Desidratação.
Cirurgias ou traumas recentes, especialmente em membros inferiores.
Doenças congênitas ou adquiridas que levam a um estado de hipercoagulabilidade (trombofilias).
Portanto, antes de iniciar viagem de duração maior, qualquer que seja o meio de transporte, convém adotar as recomendações a seguir:
Evitar roupas muito apertadas, dando preferência àquelas mais folgadas e confortáveis. Os calçados também devem propiciar muito conforto.
Não permita que suas bagagens sejam acomodadas de forma a impedir a movimentação dos seus pés e pernas.
Mexa-se; movimente os pés e pernas (veja aqui algumas sugestões); ande, sempre que for possível e permitido. Estar sentado por muito tempo sem se movimentar é uma combinação que consideramos um gatilho para o início de um evento trombótico.
Pernas cruzadas podem dificultar o retorno venoso
Hidrate-se bem (cuidado: o abuso de bebidas alcoólicas pode desidratar)
Se é fumante, seria prudente não fumar na véspera e no dia da viagem.
Considerar o uso de meias elásticas apropriadas ( de preferência sob prescrição médica)
Casos especiais de alto risco para TVP podem até lançar mão de medicamentos profiláticos, sob orientação médica, para viagens de tempo mais prolongado.
Cuidado com drogas que induzam o sono
NOTAS:
- Em 29 de junho de 2007 a Organização Mundial de Saúde (OMS) publicou as conclusões da 1ª fase do seu projeto de pesquisa sobre os riscos à saúde decorrente das viagens. Dentre as conclusões consta que o risco de sofrer uma tromboembolia venosa (TEV) é o dobro para as viagens com duração de quatro horas ou mais.
- O estudo acima, chamado WRIGHT (World Health Organization Research Into Global Hazards of Travel), deduziu um risco de 1 para 6000 passageiros de desenvolver TVP após 4 h ou mais de imobilidade.